sexta-feira, 21 de setembro de 2007

porque escrever[parte III]

Acho que quem se aventura a escrever,acaba ao mínimo se questionando quanto vale a vida.È que quando vai se escrever sobre a vida,é tanto para ser escrito,e ao mesmo tempo,nada vale a representação,seja ela poética ou que ocupe a pagina do seu livro.As coisas passam de forma tão corriqueira e dependentes a existência de uma rotina,que acabam sendo as mesmas coisas,ou coisas que não merecem ser contadas.E os dias passam devagar,e não se tem o que escrever.Acho que a única coisa que mata mais um escritor do que a paixão é a ausência de fatos que mereçam ser narrados.Não me admira que a ficção seja um ramo tão bem sucedido...Não me admira que ela se faça necessária,e que tantas pessoas se refugiem nelas.Primeiro as mentes se refugiam na idéia da morte,se assustam com a covardia,e se escondem no cigarro,no álcool ou nas drogas.Quando nada disso basta,eles se escondem na ficção.Ninguém tem coragem de falar da vida,e qual o aparente sentido disso?Ninguém tem coragem de falar o que merece ou de fato existe para ser dito.As maiores ofensas são sustentadas nas maiores verdades,baseadas em uma sociedade construída sobre ideologias das massas e apenas aparências.E quando alguém fala a verdade,magoa ou é aquele susto.Algumas reações são agressivas,e digna de arrependimento depois simplesmente porque foram excessivas em base daquilo que não vai além do real.
Retiro o que eu disse,mas que fique escrito pra que você possa entender o que eu não entendo,o que eu não organizei.Talvez o que mais me irrite como algo capaz de escrever é a paixão.A excessividade de sorrisos,a alegria desmedida,ou simplesmente o sentimento sem fundamentos de que ta tudo bem,quando se sabe que não está ou que nada daquilo é garantido,e nada se faz vivo,e mesmo assim esses tolos andam por aí distribuindo sorriso enquanto a alma cala em meio a um futuro incerto e um presente fútil.O que mais me irrita é que esse sentimento me entorpece mais que qualquer droga faria um homem ficar alucinado,me faz capaz de repudiar meus escritos de sobriedade emocional e mesmo acreditar que aquele nada,aquela incerteza pode se fazer real.Eu apaixonado não gosto de mim normal e eu normal detesta os sintomas da paixão.Acho que por isso que as minhas nunca dão certo.Mas ultimamente eu já sei disso e consigo desprezar esse sentimento de forma melhor.Mas quem fala isso é um cara sem noção pela falta de acreditar que tudo pode dar certo,ou que tem muita gente rindo pras paredes.Desconsiderem isso.Mas o que me faz brigar e detestar é .O silêncio.A incapacidade de escrever que gostar de alguém me proporciona.É como se de repente a vida não fosse pra ser questionada,e sim vivida.

porque escrever?[segunda parte]

Espero que um dia acusem meus textos de não terem continuidade.Até lá,eu acuso.Os meus textos não tem continuidade.Ou não tem tanta continuidade quanto eu gostaria que eles tivessem.Os meus dias não tem continuidade como eu gostaria que eles tivessem.Os meus textos são os meus dias.Um dia eu conheço alguém,e percebo como a presença de alguém especial pode ser agradável,e outro dia eu me faço distante e percebo como a saudade pode ser desagradável.Os meus dias são os meus textos,e alguns textos sentem saudades e outros saboreiam a presença de uma nova personalidade.As vezes lamento os meus dias.As vezes lamento os meus textos.A sucessão de eventos de um dia podem escrever textos lindos,ou faze-los uma grande lamentação.Os meus dias escrevem os meus textos.Os meus textos vivem os meus dias.E eu sou um hospedeiro de tanto sentimento,e as vezes acho que vivo apenas pra colocar isso tudo em poesia.

Eu acordo para o sol
eu abro a caneta pro coração.
Eu vejo o começar do meu dia,
começa uma poesia.


Nasce um texto
E lá aonde chove e cheira terra,
Aonde o homem nunca chora
E o que é água chama terra
Nasce um sentimento

O que é o sentimento?
Senão,a necessidade de dar razão
De fazer vivo o texto,de fazer viva a poesia
De ensinar a ler o coração.

O sol vai embora e vem a noite,
A noite dos namorados
Dos que vão se amar pela primeira vez
A noite dos que vivem pela noite

Fico sozinho,
Chega a hora de repassar meu dia
Repassar meu sentimento
Ensino o coração a ler
Transforma a palavra em sentimento
E enquanto a noite é daqueles que amam
Eu transformo o que era dia na mais bela poesia.

O que é a poesia,senão o mais belo dia?
O que é o dia,senão a hora de se enxergar a sua poesia?
O dia passa,e leva as palavras com ele
O dia do pescador
O dia do sério senhor

O senhor que era sério,amou.
O peixe que era vivo,o homem pescou.
A poesia do peixe
A poesia do amor.


Espero que os meus textos nunca se liguem,pois os meus dias serão ligados e a minha vida será uma rotina.Não há poesia na rotina,a não ser a poesia da própria rotina.
Por isso acredito que a vida é poesia.Acordo pensando em como será o meu dia,viver o meu dia é escrever a poesia da noite.Os dias escrevem as noites.

Porque escrever[primeira parte]

Escrever é um dom.Escrever é uma arte.Não sei para que em escrevo ao ponto de mal ter como começar.Meu caráter escrever pra humanidade,pros curiosos da posteridade.Mas meu senso de real,meus olhos que me aproximaram de grandes obras,sem que eu fosse digno de compreende-los e transcreve-los para o meu mundo,não me permitem nada além da vontade de escrever e das obrigações com a humildade.
Essas rimas de pobre,ou rimas pobres me levam a tênue linha que separa alguém que escreve daqueles que fazem do desabafo melancólico a escrita uma fuga da própria mediocridade.Uma soma da excessividade de conhecimentos lidos,um ou outro sentimento sem sentido e a mais pura ausência de qualidade.
Ninguém Lê física no jornal ou compra manuais de química.Aliás me desculpem a indelicadeza,comprar nos dias de bolsa-esmola de hoje é um luxo.Isso já empurra os medíocres para a escrita,a arte da mediocridade.Isso se torna o alimento do seu ego,a luz no fim de um túnel que só existe porque o orgulho não permite ver o céu.Afinal o céu é para todos e quem enxerga o céu se põe a qualquer um e alguns se acham bons demais para isso.Preferem o túnel.
Prefiro,gosto,acredito que o sensato seja esperar o pior.Me falta experiência,me faltam livros lidos.(vai que invés de escritor eu sou de fato um copiador?)
E me falta sucesso para saber se eu sou bom o bastante para escrever coisas úteis como eu gostaria que elas fossem.Escrevo lamentando o esforço do futuro de embolar essas palavras e joga-las no lixo,lamentando os minutos perdidos agora por não ser bom o bastante e suficientemente ignorante.Acho(quase creio e largo a caneta) que as jovialidades do meu caráter hão de se refletir nos meus textos,levando eles para um caminho de pouco valor humano,contradito pelos meus escritos do futuro.As palavras são a expressão escrita dos nossos olhos,os reflexos escritos do espelho da alma.Logo eu posso perder o meu valor hoje pelo que serei no futuro.Porque hoje é presente,e eu pergunto qual é o meu valor e só poderei responder amanhã.E eu talvez não valha mais nada.Nas minhas aventuras de quem escreve posso assassinar uma idéia,uma revolução que nunca aconteceu.Posso cometer um suicídio de ordem social 40 anos antes da minha morte.Ou posso ser um narrador do que um dia me matou e me fez um animal sentimental.Não tenho tanta certeza que de que nenhum sucesso ou insucesso quanto tenho de que se perder esses minutos escrevendo futilidades,de alguém que só difere no gosto por escrever,me arrependerei.
















Se eu pudesse me dar o luxo de ser um cara que escreve coisas tão complexas como o meu cérebro acharia difícil compreende-las,ou se fosse sábio o bastante pra escrever de coisas que certamente ficariam pra imortalidade,dificilmente falaria de saudade.Mas o que é mais imortal na existência humana do que o próprio homem?E se falamos do homem,falamos de outros homens que precederam os primeiramente citados.Homens vieram de homens.Homens são essa síntese de pensamentos gloriosos,coletivos ou individuais que os levam adiante.Homens se perpetuam base de informações,mais do que de sexo.Afinal o que garantiria a supremacia da espécie nesse planeta senão nossa força mental,e acima de tudo,nossa capacidade de evoluir?Mas nossa capacidade de evoluir não é nada mais do que essa síntese de informações feita por homens,que vierem de outros homens.Homens parem homens.Seja nas idéias,nas guerras,nas situações mais adversas.Que espremem,comprimem o caráter humano e o que há de mais essencial é aproveitado.Síntese de informações.Mas homens morrem e o que pra uma geração foi extraído das entranhas do caráter humano pode morrer junto com esses homens.O que faz com que essas informações se perpetuem?
A memória.Homens se lembram de outros homens,e porque estes foram importante quando vivos.Eles apenam se lembram porque homens parem homens.E uma geração interage com a outra.Uma geração usa o conhecimento de 10 gerações passado,porque um interagiu com a outra até chegar a ela,e embora ela não conheceu a primeira geração de todas as 10,usa as informações mais produtivas,as informações que levam adiante.Informações que passaram de uma geração a outra,nessa pequena corrente de duplas que perpetua certas mazelas da espécie.Assim lembrar de alguma coisa,ter uma memória seria o primeiro passo pra imortalidade,ou talvez o único?Se lembrar de informações, que são a síntese do...homem!Então,o que há de mais imortal do que o homem?O homem construiu o homem.Nossa capacidade de absorver o que é mais importante,ou o que é útil,sucessivamente leva os fatores decisivos do caráter muito além da imaginação.
Muito além,de uma só geração.Conhecemos as pessoas,e nos damos com elas da forma que achamos melhor,ou que necessitamos fazer.Cada um pra si mesmo,apenas absorve o que julga necessário.E as vezes tudo é muito normal,ou todo mundo não tem nada demais pra apresentar,nada que faça você rever seus pontos de vista,ou a vida.Nenhum informação pra ser absorvida.As vezes conhecemos algumas pessoas que tem idéias ou expressões tão ricas que mudam pra sempre as faces da nossa personalidade.É como se alguns raios finalmente encontrassem uma superfície que os absorvessem,sem refleti-los sucessivamente,como se eles fossem o exagero de um caráter.Uma vez que ele são absorvidos,eles nunca voltam.Pelo menos não voltam da mesma forma.Voltam melhores,ou piores,porém eternamente modificados por nos entregarmos a diversidade da outra pessoa e expormos o que temos dentro de nós.E o que tem dentro,acaba colidindo com o que tem na outra pessoa e muda.Assim absorvemos o que nos era inexistente,ou aprimoramos o que nos era comum.Assim nos tornamos homens fazendo síntese de informações de outros homens.Seja essa síntese através de um livro,ou de um beijo que te faça perceber que a vida pode ter outro gosto,ou outra leitura.E quando vamos embora,levamos nosso interior pra sempre modificado devido á colisão de informações substanciais a vida,mas as pessoas ficam pra trás.E sentimos falta.Sentimos saudade.Sentimos saudade por elas terem se mostrado tão incríveis que sacudiram aquilo que ninguém mais sacudiu,que adicionaram aonde ninguém nunca adicionou ou que expressaram aonde ninguém,ninguém mesmo jamais conseguiu se expressar.E por isso essas pessoas são chamadas especias.Dificilmente outras pessoas serão capazes de sacudir o que tem dentro de nós,que já não é mais o mesmo dentro de nós,justamento por ter sido sacudido.Umas sentimos por confiarmos tanto na maravilha da sua personalidade que elas se mostraram capazes de nos fazerem sintetizar informações substancias a vida a qualquer momento,e sentimos falta dessa capacidade de enriquecimento abstrato,que se reflete fisicamente.Outras nem esperamos que elas voltem a chocar,nada do tipo.Apenas sentimentos falta daquele choque contante,que faz a vida parecer vibrar em outra freqüência sempre e colocando o que nos somos de melhor não muito distantes.Ao percebermos o fascínio que essas pessoas nos despertam tentamos ser cada vez melhores.E acabamos conseguindo.Então algumas pessoas tem de melhor em simplesmente nos tornar melhores e melhores.E sentimos algo diferente,inusitado.Sentimentos saudade.Mas uma saudade diferente,uma saudade egoísta.Sentimos saudades de nos mesmos,e da condição de coadjuvante que outro ser se colocava simplesmente balançando tanto a existência a ponto de fazer o outro ser muito melhor,e muito mais feliz.Coadjuvantes por fazerem o outro lado ser melhor,por ele mesmo,porque ele queria impressionar.Coadjuvante por fazer o outro lado,uma constante busca por informações novas e impressionantes sem perceber que o benefício no final é próprio e não mutuo como se espera.Sentimos saudades não dos outros,mas de como éramos do lado deles.De como procurávamos ser,vivendo pra eles ou agindo buscando agrada-los e assim percebendo quão grande podemos ser,ou quão fascinantes.Sentimos falta da pessoa,mais principalmente,dos homens que elas nos podem fazer ser.

Princesa dos meus anéis.

Vivemos
Vivemos,talvez,simplesmente por viver,
Apaixonados por essa ilusão,
Perdidos por essa paixão,
Amando na escuridão,
E viajando na estrada da solidão...

Acabo de te conhecer,
Porco presunçoso eu,
Que se acha no direito de te escrever,
Mas...poxa vida...eu fiquei encantado,
Por um minuto não paro de pensar,
O relógio tique-taquea e me atordoa,
Amando nessa roleta-russa,tentando beijos no cara e na coroa.
E você,a princesa dos contos de fadas,
Aposenta minha espada,e revive minha coroa.

Vivendo esse encanto,sonhando pesado
E o sol nasce iluminado,
Trazendo o seu sorriso a minha memória,
Assim como uma criança não consegue esquecer uma estória,
Seu sorriso ilumina minha memória,
Sobressaindo á minha escória.

Escória que enche a cara no carnaval,
Fuma junto com o comercial,
E marginaliza a noite como um policial.

E esse cara ou coroa do amor,
Cara?Coroa?Viver satisfeito,
Surfando minhas ondas de delírio
Ou abrir mão da minha imortalidade
E encostar o ouro da sua cabeça
Com a pirita dos meus anéis
Ah sim,pirita,o ouro dos tolos
Arrancadas de guerras,porventura tolas,
Outrora cruéis.
Quase sempre malditas e infiéis
Arrancado enfim,da mão dos seus coronéis

Descer do céu,pular em suicídio e quebrar minhas asas.
Com as quais voaria pelo mundo,
Por você,princesa dos porcos com asas
Dos guerreiros que invadem casas
E do ouro tolo dos meus anéis,
Arrancado das insignificantes guerras,e seus podres coronéis?

Poderá o ouro dos meus anéis
Tocar o ouro dos seus corcéis
Ou os lábios da minha boca beijarem o couro dos teu pés?
Poderão os delírios dos meus pensamentos
Se enamorarem pelo encanto dos seus contentos?

A conveniência dos conventos
A lágrima dos desatentos
A derrota dos lentos
O bocejo dos sonolentos?
Poderá o ouro dos meus anéis
E os lábios da minha boca
Beijarem o couro dos teus pés,
E Cortarem a cabeça dos Seus coronéis?

Poderão os delírios dos meus pensamentos
Delirar acima dos ecos de nosso passado
E os encantos dos seus contentos
E a conveniência de um convento,
Superarem o brilho do seu legado?
É,eu sinto o amor
A lua que brilha no céu do apaixonado.