quarta-feira, 31 de outubro de 2007

[parte 1,não tem nem título ainda]


E eu era um jovem,
Apenas mais um marinheiro,
Com a vida a ganhar,
Tantos mares existem
E todos foram feitos pra navegar
Assim como os sonhos
Foram feitos pra sonhar
Vivia a conquistar belas mulheres
E fascinantes tesouros
Lembro quando criança
Quando vivia a sonhar,
E papai,Ah,um grande homem
Não passava de um simples alferes
Com um coração de ouro
Que sempre disse
Meu garoto,
O caminho para os seus sonhos é a sua felicidade
E o caminho para a sua felicidade passa através dos sonhos
Basta acreditar
E ali cresceu eu,
Em tão pequena ilha
A linha do impossível cortando o mar,
O céu,sempre azul,sempre sem se preocupar
E eu criancinha pequena,com lágrimas freqüentes
Fazendo barquinhos de papel,para poder sonhar,poder viajar.
Agora eu já sou homem feito,conquistei os quatro mares e o direito de me gabar,
E pra vocês crianças eu falo,
Basta um pedaço de papel e um lápis
E os confins do universo vocês poderão encontrar
Agora,eu um dia criancinha a sonhar
Não passo de um velho e solitário lobo do mar.
E uma grande história lhes vou contar.
A minha ilha sempre tão pequenina me deixou sempre a um passo de sonhar
E pelas manhãs,não tinha outro afazer senão pescar
Mas sempre que me trancava,os mesmos sonhos,os mesmos ideais
E os navios-mercantes sempre trazendo notícia,das cidades do mundo,e seus carnavais
E meu pai,colocando o peito ás balas
Com bocas para sustentar
Meu velho pai,Grande homem
Um tiro o pai levou
E as bocas no mundo deixou
Mas fazer o quê?Se o revoltoso capitão atacou
Sobrou pro pai,alferes
Deixando um filho e quatro mulheres
Logo o primeiro navio Aportou
E não demorou muito
E lá fui eu pelos mares a navegar
Deixei a pesca,as notícias,os carnavais
As festas,a fome,e os temporais.
Agora a criança pequena já era um jovem grumete
Com as pontas do cabelo no queixo,e a barba por fazer
Uma amante em cada porto
Lavando o convés,
Sonhando com as raparigas do cais
Até que um dia encontrei um valente rapaz,
A minha rapariga foi se meter
Bastaram poucas pingas
Para os dois se perderem
E por causa da negociação de um porco
Uma facada levei
E fiquei,sem outras opções a não ser rezar
E enfim esperar
Lá vai o desgraçado do grumete,dizia o capitão
Carregado,com a mão caída pra fora da maca,arrastando pelo chão
E quanto a rapariga,ela sumiu,com porco e tudo
E eu lá agonizando a morte
Na enfermaria onde cuidaram de mim
Encontrei um jovem rapaz
Sem muitas posses
Franzino e jovem demás
Porém deveras muito sagaz
Me falou sobre os seus planos,os seus sonhos,e como seriam os seus anos
E eu falei sobre as coisas belas da minha vida
De tão pequenina ilha,a mais um grumete no mar,buscando cada vez as respostas do céu,para as perguntas insistentes em não calar.
Por mais álcool que bebesse,
e insistindo sempre a cada porto com uma puta me deitar
Algumas perguntas,
algumas malditas perguntas simplesmente não queriam calar
Ah como eu sentia saudade do pai,
que de tiro morreu
Tudo isso ao jovem franzino fiquei a contar,
E ele me contou seus segredos e declarou suas posses
E disse que dessa estava cansado,
venderia todo o seu gado,
as poucas posses e tudo o mais que restava
Vamos embora daqui meu amigo,ele disse
Curado da facada eu enfim estava,
e fomos,loucos solitários,
ou simplesmente,
crianças crescidas com sonhos sem o menor senso comunitário
O jovem franzino planos bons apresentava,
até um mapa do tesouro o infeliz alegava
Mas difícil conduzir nossos planos enfim estava
O barco estava caindo aos pedaços
Mas enfim,o meu então amigo franzino certo estava
E o tesouro encontramos
Um barco para cada um compramos,
O gado de volta ele comprou,
e no rum se atolou,
e corpulento se tornou
E eu que já não era mais uma criança,
já tinha levado facada,brigado por causa de porco,
dormido com uma vadia em cada porto,
agora via o meu amigo franzino se tornar um homem barbudo e gordo
E eu agora homem rico,com uma cicatriz por causa do desgraçado do porco
Deixava o meu barco sempre,
No porto,ficava a jogar truco,e beber rum
Desvirginava mocinhas pobres,e pra mim,cada coração partido eu fazia só mais um
O meu tesouro estacionado em uma casa
Muito bem guardado,pois como diria meu velho pai,dinheiro de boêmio tem asa
E dito e feito,o que foi muito bem feito
Em pouco tempo a vida me deixou com pouco mais do que uma casa
Perdi o barco em uma aposta,
Só restava o resto do tesouro
E eu desesperado,parti em uma jornada ao impossível,em busca de mais um tesouro.
E a vida assim tomou seu rumo
Sempre mais um tesouro
Sempre outra cicatriz
Ora por rum,ora por uma vadia,ora por um porco.
Ora simplesmente pra dar o troco.
E é aqui que nossa história começa.

Em situação de um homem mais velho me encontrava,matuto,
ambicioso como sempre,
E em busca daquele próximo tesouro,
e um coração tão perdido que há quem diga que não sente.
E eu com o cabelo mal penteado nos ombros,
Com um grumete que tinha a força de um touro
E eu capitão,
Sozinho,isolado,apenas com a ambiçãoEnquanto o coração apresentava vigor,
E o fígado nenhum temor
A barba já dava os primeiros sinais de tantos tesouros
Tanto rum,tantas mulheres,tanto jogo,tanto ouro.


Até que a escuridão me traiu
A minha fiel amiga dos momentos de solidão
Colocou a tripulação do grande e imponente constelação por desgraça,
E não houve negro,touro,muito menos raça
Todos foram ao mar,
E a escuridão retornar
E por não menos escura e misteriosa desgraça
Perdi todo o ouro,e tudo quanto há em raça.
E então me socorreram,
Uns cidadões do mais pronto socorro,que aparentavam uma bela raça
E eu tive forças e li apenas uma placa,quando pela cidade carregado andava
Aos visitantes boas-vindas ela dava
Erguida em uma grande e bem cultivada praça,anunciava o nome a todos que chegavam
Bonito era o nome desse lugar.

terça-feira, 23 de outubro de 2007

?

Ele era um remanescente de uma geração ingrata.Ele mesmo era um ingrato.A idade não importava.Fora ingrato com todas as suas chances.Era um grande tagarela,e um exímio defensor de causas.O seu hábito infeliz de comer o almoço pensando na janta lhe rendeu uma vida lamentável cheia de episódios memoráveis.Conversava com qualquer um,com a televisão,com uma câmera,com um contato do mirc de quando tinha 13 e nunca realmente efetivara a amizade fisicamente,e principalmente,conversava sozinho.Mas conversava tanto,que sozinho de fato acabou ficando.Apenas lhe restaram algumas músicas de um gênero musical velho e desconhecido,que os jovens de hoje não sabiam apreciar.Um ouvido com ruído de tanta música ouvir,as vistas cansadas de tanto ler.Mulher não tinha e nem procurava,afinal,procurar mulheres em sua época e procurar enlatados de sardinha,as sardinhas tinha mais personalidades.Toda a sua geração fora um desperdício.Toda uma geração de homens digitando busca para suas perguntas nas localidades de busca,sem realmente saber como procurar.Mas os homens de seu tempo não eram tristes,pois a tristeza era um sentimento reservado aqueles que ainda sabiam apreciar as agonias da própria existência.Embora tudo se fora,a vista da sua janela ainda era a mesma.E de repente ele conversa,não se sabe ao certo se com um guardanapo ou com um papel higiênico,mas enfim,ele resolve falar.




O hábito de fazer perguntas me rende incidentes desagradáveis.O menino tagarela dentro do ônibus que sai fazendo perguntas indiscretas a todos continua dentro de mim.As vezes eu acho que ele cresceu.Porém continua dentro de mim.Talvez essa mania de perguntar tudo é o inegável berço das minhas palavras.,carinhosamente organizadas como respostas.São perguntas que cortam como uma faca a solidez dos sentimentos,me custando esforços imprevisíveis para tentar recompô-los,quando depois de uma pergunta a resposta acaba por os julgas necessários...São perguntas que desestruturam momentos.Sempre quis saber como tudo funciona,da menor peça a função total.Nada melhor do que desmontar.Como quando eu me pergunto porque estou sozinho?E a resposta é que fui incapaz de administrar meus amores.Pessoas que tiveram amores tão menores em intensidade,grau de interesse ou dificuldade,no começo,e persistiram solidificaram o reflexo de sua pessoa,um colo para a alma.
E eu lá constantemente a me perguntar o porque das coisas e a sua razão,fui desperdiçando seguidamente pessoas que me fizeram feliz.Fui um pouco ingênuo também em achar que porque vieram muitos,continuaram a vir.Acho que me enganei.Fui incompetente e administrei mal todo o amor que me foi dado.Mais lamentável ainda é estar cada vez mais sozinho por ter questionado,ou simplesmente não ter abraçado com todas as minhas forças,pessoas tão lindas,tão interessantes ou tão legais.Pessoas amáveis,sendo a prova disso que depois de não conseguir,outros abraçaram essas vibrações extraordinárias de um caráter adorável,e usaram para agitar tudo que andava parado em suas vidas.Essa ressonância,do amor,que começou forte como a energia de minha própria vida há muito se foi.Espero reencontra-la pois sei que o amor apenas acrescentaria a minha pessoa(triste pessoa) que anda tão sozinha.Enquanto escrevo disparo centenas de perguntas contra mim mesmo ouvindo as vozes da minha vida.
Essas vozes um dia foram vinda de uma estrutura de carne e osso,na fila do banco,no trânsito,no estádio ou em outro lugar qualquer,cometeram a ousadia de entrar em mim por possuírem no significado de suas palavras algo capaz de sensibilizar a superficial casca do meu ser,que assim se encontrava por ter atravessado determinada situação dura,e aquela rachadura,aquele buraco no casco,é penetrado por essa voz como uma flecha.E As vezes essas vozes parecem falar justamente aquilo que a nossa existência carece ouvir.Só que uma vez que entram é difícil que elas saiam.Vozes de situações,de pessoas que entram e ficam batendo nas paredes da minha alma buscando desesperadamente um caminho para sair.Escrever é a porta de saída de todas essas vozes presas dentro de mim.Um guardanapo de uma cafeteria,uma mensagem de texto,o post de um fotolog,tudo era motivo para que ela tentasse tirar aquela voz daquela menina de olhos azuis de ontem de dentro dele.ou daquele velho amigo pedindo sua ajuda.Essas vozes tinham uma característica em comum,eram todas perguntas que nunca tinham encontrado a sua devida resposta.E a cada frase organizada busco liberta-las.Afinal,liberdade ainda que tardia,minando assim os mais profundo agouros de sua alma,gerando prazer e satisfação,e levando a possibilidade de finalmente como não se via há muito tempo,enxergar em sua vida empacotada um belo horizonte.A cada pergunta respondida,uma frase é liberta na esperança de que outro ser de notívaga existência a encontre,em uma obra poética,um solo de guitarra ou na fila de um cinema.Que outro enfim encontre a solução para determinado problema,e eleve seu ser a uma pergunta a menos,uma resposta a mais e com muita boa sorte uma maturidade cada vez mais diferente da dos demais.
A cada frase organizada busco busco então liberta-las,para que alguém simplesmente,tenha uma pergunta a menos á responder.
Isso é diferente de outras organizações ,pois não temos a obrigação de responder a todas as perguntas de uma só vez,porém nunca saberemos qual delas será a próxima que precisará ser respondido.Então a única solução é tentar disponibilizar todas as respostas para qualquer dia e qualquer hora.Embora talvez nunca se use nenhuma,ou use apenas uma.E é por isso que eu presenteio as pessoas com perguntas respondidas para que se poupem o trabalho .E tiro assim tantas perguntas batendo dentro de mim.Talvez a paixão seja um jogo de perguntas e respostas,que dão a falsa,real e certamente incompreensível sensação de necessidade para nossa existência.
Em um mundo tão cheio de mentes,de idéias,de expressões e de gente é cada vez mais difícil achar quem responda as suas perguntas.Uma respondida virão outras de maior dificuldade até que talvez não seja possível encontrar alguém capaz de responde-las.
Um filme pode te falar,uma música ou um livro.E é aí que expandimos nossos interesses em busca de respostas,porém aumentamos a nossa solidão,contruindo um castelo cultural,recheado de expressões artísiticas musicais,fotográficas,livros ou poesias que acabamos perdidos ou isolados dentro dele.Nesse momento respondo a minha pergunta sobre a necessidade de responder perguntas,até que alguém absorva isso,e a sua pergunta também será respondida.
Mentes brilhantes responderam muitas pessoas através de suas palavras,seus cálculos,imagens,músicas,manobras,ora militares ora corporais.Com um pequeno anexo,seja uma bola,seja uma espada.E se tornaram um grau a mais na compreensão individual de existência de cada um.Creio que a melhor definição de arte para os meus anos de perguntas e respostas seja que qualquer expressão artística é o dom de fazer perguntas fundamentais e responde-las de uma forma absorvente aos demais corações.Porém qualquer expressão artística deixa de ser uma expressão artística quando se tem alguma forma de interesse em capital,ou qualquer possessão que se limite ao campo material,ou que resuma sua existência da forma mais banal.(essas rimas são banais)Passa se então a procurar perguntas pra responde-las da forma que lhe interessar mais,sendo que o seu interesse é dar a resposta que interessa a quem precisa de uma.Então,basta falar o que as pessoas querem ouvir.
Mas as vezes as pessoas são tão incontentes com a própria existência,insatisfeita com a magia de improviso da vida,que fazem questão de não improvisar nada,de apenas viver em silencia,e fingirem que sentem alguma forma de expressão pra poderem não sentir nenhuma.E elas ainda mentem,fingindo que consideram obras medíocres uma forma de expressão.Ora,elas não consideram,mas elas apenas querem que sua existência passe em branco,mais pra elas do que pra qualquer pessoas.Elas são medíocres,elas são ordinárias,comuns,não tem a menor graça,não são bonitas,se são não sofrem de amor,enfim,elas são banais.Essa ciência a favor da futilidade das pessoas incapazes de analisar a própria existência intrinsecamente é o maior assassino do século 21,e sem dúvida o mais cruel.Essa expressão que acaba servindo como um tampão a suas vidas vazias.Essa desgraça a serviço da futilidade já assassinou o rock´n´roll.O silencio da alma,se limitando a pequenas trocas matérias acabaou com a espontainedade dessa música cargo dos infelizes com a alma recheada de perguntas sem respostas.Esse interesse banal acabou com o futebol,está assassinado a literatura e provavelmente está perseguindo a poesia.
Cada vez mais se tornarão mais raras as pessoas capazes de fazer as perguntas certas,pessoas essas que prolongam a vida das expressões artísticas.Não se deve falar o que querem ouvir,mas sim o que precisa ser dito,o encaixe abstrato para a situação que a brilhante alma do artista encontrou.Logo ele conclui,


Perguntar é uma arte

domingo, 21 de outubro de 2007

Vida de saudades

A vida é engraçada.
Tudo que eu posso dizer com certeza sobre ela,é que simplesmente sinto saudade.
Sinto saudade de tudo que passou,das paixões perdidas,das pessoas que conheci nessa viagem só de ida.
Sinto saudade de tudo que vou viver.Por que é disso que se trata.
Da incerteza.Então.
Eu sinto saudade dos meus momentos gloriosos do meu futuro,
sinto saudade do Brasil que morreu na ultima bala perdida,
saudade.DE toda aquela promessa recém embalsamada.Indo embora... fácil como o vento
Sinto saudade de um país melhor naquela criança abandonada.
Sinto saudades de todos que amei.
Saudade de tudo aquilo que enfrentei.
E arrependimeno,apenas daquilo que na hora de lutar,me acovardei,
porque o medo é o problema,
a única interrogação em uma vida cheia de nostalgia,regada a inspiração.
Saudade dos momentos que olhei nos seus olhos negros,
que toquei seus cabelos pretos,
e o amor enchia de esperança
Tão fácil quanto passar minha mão pela sua pele branca.

Sinto saudade na vida também
Das poesias que não pontuei
Simplesmente...pelas palavras que não achei
Palavras que ficaram no tempo
Enquanto meu coração se preocupava em bater por um sentimento

Sinto saudades dos amigos que perdi
Embora tão jovem,sinto que o momento se foi,e aqueles amigos daquela hora,eu perdi
Embora tão velho,sinto saudades dos amigos que perdi,porque eu simplesmente esqueci
Embora crescendo,apenas sabendo,que aquilo que passa,não volta nunca mais
Embora tão medíocre,apenas sentado,esperando minha vez de passar,por você,
Pelas suas vidas,por momentos que nunca mais vão voltar.E,garotas que talvez não vou mais beijar

Sinto saudades das palavras que deixo de complicar
Porque meu coração tem tanto a dizer,que não tem tempo pra pensar
Apenas pilhas e pilhas de sentimentos a despejar

E quando aquele anjo voar
O sangue derramar
O capacete tilintar
O soldado atirar e a guerra começar

Simplesmente,vou sentir saudades...
sentado em um banco esperando por você,
vendo a minha vida passar,
em momentos irreversíveis que nunca mais vou recuperar
E que,apenas viver na sua ilusão,
me faz lembrar que um dia:
a saudade vai passar...

domingo, 14 de outubro de 2007

Compromisso

gente,meu amigo que não vou revelar o nome porque não consegui falar com ele,e não consigo há uns dois anos, escreveu isso em 2005,ou menos eu acho,e me confidenciou á leitura,como eu achei muito legal eu coloquei aqui pra que mais pessoas tivessem a oportunidade de ler,espero que ele não se importa,embora muita provavelmente ele nunca fique sabendo.

Compromisso

As relações são tensas. Mesmo que saibamos dos benefícios que a diversidade nos possibilita, ainda sim entrar em contato com o diferente infere em tensão. As transformações, mesmo as intrínsecas, pertencem ao desconhecido. Podemos até prever e simular algumas delas, mas tais simulações e previsões não são exaustivas.
O fato de não serem exaustivas nos leva a crer que só mesmo a experiência é capaz de nos conceder o exaustivo conhecimento. A experiência é a existência em um dado “instante” do espaço – tempo; é por isso que as simulações e previsões não são exaustivas, uma vez que não ocorrem no mesmo espaço – tempo da experiência em si. É claro que também à experiência não é dado o conhecimento exaustivo de toda a realidade.
Dessa forma, posso concluir que dois indivíduos não são capazes de prever de forma exaustiva a relação entre ambos. Posto está, portanto, a verdade de que a existência vive sobre os matizes da incerteza. O fato é que não existe apelo emocional sem a consciência, e tão pouco o apelo racional sem o instinto. Ao meu ver é ao homem instintiva a busca pela coerência e assim a sua inevitável constituição racional
A bem da verdade, quando estamos racionalizando estamos apenas sistematizando nossos sentimentos, e não nos livrando deles. Todavia, é essa mesma incerteza que nos leva a alimentar as relações com o que chamamos de confiança e compromisso.
Compromisso e confiança são as expressões máximas de nossa natureza bivalente, capaz de subjetivar o que a prior é racional, e vice versa. Porque assumimos compromissos e dizemos que confiamos em outros indivíduos? Lembremo-nos de assumirmos o fato de que mesmo a contra gosto assumimos, todos nós, compromissos. Os compromissos são uma necessidade existencial; a existência é refém da incerteza, toda e qualquer decisão é oriunda de uma dada parcialidade, de uma dada inclinação a uma lógica qualquer. Crentes e ateus, por mais que discordem, possuem um traço comum a todo ser humano. Necessitam de uma verdade.
Todos assumimos compromissos por sobrevivência; o compromisso é a forma que encontramos de validar uma existência consciente. Somos reféns do principio da não contradição, não importando o sistema de lógica a que somos devotos.
Quando compromissados com nossos sentimentos tudo do que fazemos tende a satisfazer os mesmos. Quando compromissados com terceiros tudo o que fazemos tende a satisfazer os terceiros.
Do contrário sentiríamos culpa. O compromisso tem por objetivo diminuir as chances de provarmos o desgosto da culpa, que é nada mais que uma expressão da incoerência.
Permita-me exemplificar, fazendo uso de uma situação por mim vivida a cerca de 30 dias atrás.
A garota (que não era minha namorada) me viu com outra, sentiu seu ego ir ladeira abaixo. Se aproximou de mim e jogou uma conversa mole. Do tipo: “sempre te achei especial... não te amo ainda, mas acho que amor é algo que agente decide sentir por alguém... é uma escolha...”. De fato eu caí na conversa, não que ela seja mau caráter, pelo contrário.
Mas se tivesse atentado para o fato de que ela estava compromissada com o ego dela e não comigo não teria entrado nessa latada. Ela me fez procurar sua mãe, pedir permissão para namora-la e dois dias depois terminou comigo. Putz! Como fui idiota.
Terminou comigo simplesmente porque seu ego já havia sido satisfeito. Em suma, o compromisso a que ela havia se proposto a cumprir foi cumprido e eu apenas fui uma ferramenta para isso. Tudo bem que me trocou por outro em menos de 24 horas... putz... além de idiota fui corno... mas isso não desfaz o fato de que seu objetivo não era me trair e tão pouco me usar, mas sim zelar pelo seu compromisso. Isso também não quer dizer que tenhamos que ajudar a todos a cumprirem seus compromissos, lembrem deste exemplo, de como fui idiota e corno!
Recordo-me bem do desespero em que ela se viu ao notar que eu já não servia para mais nada uma vez que seu compromisso já havia sido satisfeito. Chegou a ser engraçado. Ela não sabia o que fazer, e sabe porquê? Por que se sentia culpada. Afinal de contas, para que continuar a namorar comigo se seu compromisso já havia sido cumprido? Eis aí a incoerência e por isso se sentiu culpada e assim terminou comigo. Ao terminar comigo satisfez outra vez seu ego, outra vez cumpriu o seu compromisso.
A aquela altura dos acontecimentos seu ego já estava satisfeito e, portanto namorar comigo era a ela extremamente penoso e desgostoso, pois caracterizava uma atitude incoerente com o estado do objeto de seu compromisso: seu ego!
Infelizmente eu estava compromissado com ela, e por isso fui capaz de fechar os olhos a sua imaturidade, própria da idade, e crer que poderia ajuda-la a crescer até se tornar uma mulher.
A relação foi tensa! Nossos compromissos eram distintos e a experiência me conferiu o conhecimento, não exaustivo, mas ainda sim conhecimento de seus compromissos.

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

amores que sim e não

jairo se vc entrar como eu espero,a nossa poesia é a de baixo,mas acho que você lembra dela claro.
conversando com meu amigo fábio,ele me perguntou,
todo amor é amor próprio?
bom,vou pensar bastante sobre isso,posso escrever amanhã e nunca escrever.
mas em nossa conversa,
me dei conta que há amores que sim,e há amores que não
e escrevi:


Há amores que sim
Há amores que não
Há os amores que se sentem
Há os amores que se vão
Há os que ficam
E há os que estão
Nessa constante
[dês]motivação
De viver
Há quem viva pra sim,
Há quem viva pra não
Há quem viva e sinta,
Há quem sinta em tudo amores
Há quem sinta apenas solidão
Pois os que são de tudo amores,
Não são
Pois não há tantos amores
Sem uma grande dose de ilusão
E não há amor que seja sim
Sem dizer não
E não há não sem que assim seja
Pois se os amores excessivos
Constituem uma ilusão
E não há um sim que não

Me digo que
Não há amores que sim,
E não amores que não,
Isso seria paixão,
Pois o verdadeiro amor,é sim e não.
Palavras sobre a estrada do mundo

Eu vejo na janela o pássaro voando
O pássaro me vê,parado na janela
Cegonhas voando,carregando a esperança de um mundo melhor
Os anjos voando,incansáveis a luz do sol

Os garotos,piratas do dia de amanha
Acendem um novo farol
Um pirata traidor abandona o navio
Os tambores já não soam como antes
Mas o vento ainda sopra
Estufando as velas de um navio progressivo

Um país perdido, a mercê dos 7 mares(g7)
Um vento,no farol,o olhar atento
A fênix incansável sobrevoa o morro
Carregando no seu ventre o ciclo de uma poderosa entente
A fênix,o dragão,a grande vela da solidão
Garotos hipócritas cheiram a sua própia desilusão.
Dançando num campo lunar
Um lado minado e escuro

Olhos claros,passado escuro
Selva de pedra,alma perdida
Mais uma alma travestida

Dama travestida,torre celular,
O castelo de areia, e o bispo...a voar
Cavalo de tróia,peão de roça,
Pai de família puxando carroça

O senhores da guerra em seus colchões de pluma
Plumas de nuvens de sonhos de jovens,capitalistas desgraçados
Os alvos de guerra em seus colchões de fogo
Que vá pro inferno a união,a união dos estados

Sexta feira 13,13 colônias
A pérsia,Macedônia
O filho se perde na guerra,a mãe perde o filho na insônia

Flor de Liz no deserto
Dente de leão na boca do dragão
A nova cruzada,batalhas na encruzilhada
Carnificina hipócrita que leva na sua bandeira o emblema da salvação
Cruz de cristo,cruz vermelha
O povo como um rebanho de ovelha

Letras abstratas,realidade concreta
Melodias nauseantes,palavras discretas.



ps:essa era pra ser,ou será um dia,uma música.

escrito por mim e pelo jairo,tb no 1° ano.

domingo, 7 de outubro de 2007

vida de saudades

A vida é engraçada.
Tudo que eu posso dizer com certeza sobre ela,é que simplesmente sinto saudade.
Sinto saudade de tudo que passou,das paixões perdidas,das pessoas que conheci nessa viagem só de ida.
Sinto saudade de tudo que vou viver.Por que é disso que se trata.
Da incerteza.Então.
Eu sinto saudade dos meus momentos gloriosos do meu futuro,
sinto saudade do Brasil que morreu na ultima bala perdida,
saudade.DE toda aquela promessa recém embalsamada.Indo embora... fácil como o vento
Sinto saudade de um país melhor naquela criança abandonada.
Sinto saudades de todos que amei.
Saudade de tudo aquilo que enfrentei.
E arrependimeno,apenas daquilo que na hora de lutar,me acovardei,
porque o medo é o problema,
a única interrogação em uma vida cheia de nostalgia,regada a inspiração.
Saudade dos momentos que olhei nos seus olhos negros,
que toquei seus cabelos pretos,
e o amor enchia de esperança
Tão fácil quanto passar minha mão pela sua pele branca.

Sinto saudade na vida também
Das poesias que não pontuei
Simplesmente...pelas palavras que não achei
Palavras que ficaram no tempo
Enquanto meu coração se preocupava em bater por um sentimento

Sinto saudades dos amigos que perdi
Embora tão jovem,sinto que o momento se foi,e aqueles amigos daquela hora,eu perdi
Embora tão velho,sinto saudades dos amigos que perdi,porque eu simplesmente esqueci
Embora crescendo,apenas sabendo,que aquilo que passa,não volta nunca mais
Embora tão medíocre,apenas sentado,esperando minha vez de passar,por você,
Pelas suas vidas,por momentos que nunca mais vão voltar.E,garotas que talvez não vou mais beijar

Sinto saudades das palavras que deixo de complicar
Porque meu coração tem tanto a dizer,que não tem tempo pra pensar
Apenas pilhas e pilhas de sentimentos a despejar

E quando aquele anjo voar
O sangue derramar
O capacete tilintar
O soldado atirar e a guerra começar

Simplesmente,vou sentir saudades...
sentado em um banco esperando por você,
vendo a minha vida passar,
em momentos irreversíveis que nunca mais vou recuperar
E que,apenas viver na sua ilusão,
me faz lembrar que um dia:
a saudade vai passar...
Uma salva de palmas
Ao século 21
E a sua solidão infernal

São as palmas desse baile dos tempos modernos!
Em que todos dançam tanto e não se sabe o que faz
Bem e o que faz Mal
Afinal] O que faz bem me faz mal,
E o que dizem ser mal bem me faz
E essa solidão infernal[me alegra
Me alimentando do que é vil[e mal
Satisfazendo meu desandar urbano
Tão apaixonado pelo moderno[e tão distante.
[ora]eu sou tão criado e apaixonado[pelo bem]
E as vezes sinto o calor do inferno

Que inferno é esse que faz mal?
o seu calor esquenta,[que seduz]
a nossa essência efêmera,carnal
Pois não sei se mesmo o que deve ser do bem
Nem se não quero ser mal

Só consigo escrever de amor se for para mentir
Porque amor eu nunca soube o que é
Sei que é algo que eu não sinto,
E vilão que sou,seduzo e logo logo minto
Minto sem um pingo de remorso
Minto com aquela admirável satisfação

Poeta não sou,pois não há poesia em mim
Rimas,estrofes,organizações,não as tenho em mim
E se digo que sim,minto.

Dancei com tanto desespero os primeiros dias de minha juventude que perdi o meu lugar
E com todos os que me sento
Há o desprezo pela carne faminta
Ou a saudade da alma segura

Se alguma coisa é mal,é essa maldita poesia
E seus versos universais
Não deixam fazer menções políticas ao inferno
Malditos poetas que exaltam ao diabo
O inferno é dos feios,que bebem e que fumam
Que usam drogas,ou dos belos
Que se deixam usar e usam
O inferno é sensual com fumaça no ar
E de todos os homos que viveram a vida que lhes foi imposta
Ao berço sem que nem eles soubessem
Os heteros,ah,eles aceitam desafios
O sexo oposto,o amor e a fé.
Enxergam toda essa poesia na escuridão
Todos infernais que se dizem poetas são mentirosos
Cantam versos que não existem,sentimentos que não sentem
Histórias de amor sem amor.

Mas quem é que mente?
Os lindos que enxergam poesia na escuridão?
Ou os feios,que vivem a verdade no inferno,e mentem
Pra si mesmos que ainda haja alguma poesia?

Os crentes são belos,
Pois crêem até o último centavo
O último raio de sol
A última gota dágua

Os descrentes são tristes,perdidos
Pois buscam algo que se prove melhor e real
Até o último cigarro
A última bala da revolução
O último sinal vermelho
E evidentemente não encontram

Não deveriam se entristecer tanto
Pois esse mundo em que é feio ter sentido
Só é bonito e imortal a poesia
Também vai passar
E haverá o inferno.

Creio que seja tarde demais
Para salvamentos
Não queremos ser salvos
Temos a irresistível paixão pela verdade
O apego ao sensato
E de pensar em crer em algo,é como ser uma criança novamente.
Pois bem,crianças jamais seremos.

Que solidão é essa?dos bares cheios
Dos braços e abraços femininos
E de tantos amados amigos
Eu te grito em desespero!ou gritei,
Que solidão é essa que me faz tanto mal?
Hoje já sei que solidão é essa
É a minha solidão infernal

Não temos uma ideologia no peito
E no peito,o coração não bate
Reviramos os bolsos,não há nada
Um vazio total,pois não nos apaixonamos por nada
Nenhuma amável menina ou um time de futebol
E você,poeta,mentiroso,mente pra todos que não tem essa doença que te faz tão mal
Mas eles sabem,
Pois você não se apega a nada
E a instabilidade incomoda
Você não se sente acompanhado nas multidões de goiânia,
E nem sossego na imensidão deserta de rondônia
Porque enquanto isso,
Tudo isso,estádios cheios,espetáculos e bancos
Engarrafamentos e lotações
Tudo vai mal
Pois fico sozinho,
Acompanhado da minha doce solidão infernal.

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

corpos soldados e namorados.

Nota do autor,hehe.é mais um trecho da minha explosão criativa do primeiro primeiro ano que nunca mais voltou,as vezes me assusto com o tanto que gosto desses tantos.acho que eu vomitei toda a poesia que tinha pra vomitar.

As flautas da ganancia tocam e adormecem os cães que guardam o inferno
Nos liberando um caminho que nos fada a uma tristeza eterna
Por quinze minutos de glória e fama
Que levanta soldados feridos de sua cama

O beijo de uma enfermeira,
A paixão de uma dama
A explosão de ódio
A bala que nos atira a cama

Balas de prata para matarem um amor imortal.
Balas que nos atiram a um grande pantanal
De soldados....de corpos....de namorados....

Batalhas que se travam,
Em que,na esperança de vencer....
Perder nos leva a um lugar melhor

Amor imortal
O uniforme do soldado seca no varal...
Paixão sanguessuga
Sentimentos que não saem à luz do dia
E voam em sonhos a noite...
Sonhos de uma vida vazia.

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

mais um atestado de mediocriadade que nínguem vai ler...

A perfeicao é imperfeita demais...
Fria,sem emoção...
Matar ou morrer,enfie uma faca no meu coração...
Viva e deixe morrer,a bala de prata mata uma paixão sem emoção.
Que não vive ao sol,que não dorme no paiol,lágrimas de um caixão

Viva e deixe morrer,cada lágrima de dor
Semeando a nova flor
Flor da guerra
Flor da paixão
Flor da juventude
Não importa,se o verdadeiro sentimento brota apenas do coração.

Punhal nas costas
Estaca no coração
A igreja,a bala de prata na alma.

Século vinte e um,
A mídia crucificou o romance
O capitalismo matou a coragem
O Céu se tornou um lugar em que todos nós fomos pro puteiro,e esquecemos a passagem.

Perdemos a nós mesmos,
Perdemos o caminho
A história,um dia escrita em uma pergaminho
Agora escrita por balas,por estrelas,listras vermelhas
Pois no mundo,não existe ninguém como eu.
Simplesmente uma simples mente
Simplesmente sozinho
Não mais que uma alma em busca de carinho.


uma modificação feita agora enquanto posto,três ano depois da original.


A perfeicao é imperfeita demais...

simplesmente,não me satisfaz.
sei que,
ando muito simples ultimamente
tanta simplicidade
talvez seja um atestado de mediocriadade
da minha mente.

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

porque escrever[parte III]

Acho que quem se aventura a escrever,acaba ao mínimo se questionando quanto vale a vida.È que quando vai se escrever sobre a vida,é tanto para ser escrito,e ao mesmo tempo,nada vale a representação,seja ela poética ou que ocupe a pagina do seu livro.As coisas passam de forma tão corriqueira e dependentes a existência de uma rotina,que acabam sendo as mesmas coisas,ou coisas que não merecem ser contadas.E os dias passam devagar,e não se tem o que escrever.Acho que a única coisa que mata mais um escritor do que a paixão é a ausência de fatos que mereçam ser narrados.Não me admira que a ficção seja um ramo tão bem sucedido...Não me admira que ela se faça necessária,e que tantas pessoas se refugiem nelas.Primeiro as mentes se refugiam na idéia da morte,se assustam com a covardia,e se escondem no cigarro,no álcool ou nas drogas.Quando nada disso basta,eles se escondem na ficção.Ninguém tem coragem de falar da vida,e qual o aparente sentido disso?Ninguém tem coragem de falar o que merece ou de fato existe para ser dito.As maiores ofensas são sustentadas nas maiores verdades,baseadas em uma sociedade construída sobre ideologias das massas e apenas aparências.E quando alguém fala a verdade,magoa ou é aquele susto.Algumas reações são agressivas,e digna de arrependimento depois simplesmente porque foram excessivas em base daquilo que não vai além do real.
Retiro o que eu disse,mas que fique escrito pra que você possa entender o que eu não entendo,o que eu não organizei.Talvez o que mais me irrite como algo capaz de escrever é a paixão.A excessividade de sorrisos,a alegria desmedida,ou simplesmente o sentimento sem fundamentos de que ta tudo bem,quando se sabe que não está ou que nada daquilo é garantido,e nada se faz vivo,e mesmo assim esses tolos andam por aí distribuindo sorriso enquanto a alma cala em meio a um futuro incerto e um presente fútil.O que mais me irrita é que esse sentimento me entorpece mais que qualquer droga faria um homem ficar alucinado,me faz capaz de repudiar meus escritos de sobriedade emocional e mesmo acreditar que aquele nada,aquela incerteza pode se fazer real.Eu apaixonado não gosto de mim normal e eu normal detesta os sintomas da paixão.Acho que por isso que as minhas nunca dão certo.Mas ultimamente eu já sei disso e consigo desprezar esse sentimento de forma melhor.Mas quem fala isso é um cara sem noção pela falta de acreditar que tudo pode dar certo,ou que tem muita gente rindo pras paredes.Desconsiderem isso.Mas o que me faz brigar e detestar é .O silêncio.A incapacidade de escrever que gostar de alguém me proporciona.É como se de repente a vida não fosse pra ser questionada,e sim vivida.

porque escrever?[segunda parte]

Espero que um dia acusem meus textos de não terem continuidade.Até lá,eu acuso.Os meus textos não tem continuidade.Ou não tem tanta continuidade quanto eu gostaria que eles tivessem.Os meus dias não tem continuidade como eu gostaria que eles tivessem.Os meus textos são os meus dias.Um dia eu conheço alguém,e percebo como a presença de alguém especial pode ser agradável,e outro dia eu me faço distante e percebo como a saudade pode ser desagradável.Os meus dias são os meus textos,e alguns textos sentem saudades e outros saboreiam a presença de uma nova personalidade.As vezes lamento os meus dias.As vezes lamento os meus textos.A sucessão de eventos de um dia podem escrever textos lindos,ou faze-los uma grande lamentação.Os meus dias escrevem os meus textos.Os meus textos vivem os meus dias.E eu sou um hospedeiro de tanto sentimento,e as vezes acho que vivo apenas pra colocar isso tudo em poesia.

Eu acordo para o sol
eu abro a caneta pro coração.
Eu vejo o começar do meu dia,
começa uma poesia.


Nasce um texto
E lá aonde chove e cheira terra,
Aonde o homem nunca chora
E o que é água chama terra
Nasce um sentimento

O que é o sentimento?
Senão,a necessidade de dar razão
De fazer vivo o texto,de fazer viva a poesia
De ensinar a ler o coração.

O sol vai embora e vem a noite,
A noite dos namorados
Dos que vão se amar pela primeira vez
A noite dos que vivem pela noite

Fico sozinho,
Chega a hora de repassar meu dia
Repassar meu sentimento
Ensino o coração a ler
Transforma a palavra em sentimento
E enquanto a noite é daqueles que amam
Eu transformo o que era dia na mais bela poesia.

O que é a poesia,senão o mais belo dia?
O que é o dia,senão a hora de se enxergar a sua poesia?
O dia passa,e leva as palavras com ele
O dia do pescador
O dia do sério senhor

O senhor que era sério,amou.
O peixe que era vivo,o homem pescou.
A poesia do peixe
A poesia do amor.


Espero que os meus textos nunca se liguem,pois os meus dias serão ligados e a minha vida será uma rotina.Não há poesia na rotina,a não ser a poesia da própria rotina.
Por isso acredito que a vida é poesia.Acordo pensando em como será o meu dia,viver o meu dia é escrever a poesia da noite.Os dias escrevem as noites.

Porque escrever[primeira parte]

Escrever é um dom.Escrever é uma arte.Não sei para que em escrevo ao ponto de mal ter como começar.Meu caráter escrever pra humanidade,pros curiosos da posteridade.Mas meu senso de real,meus olhos que me aproximaram de grandes obras,sem que eu fosse digno de compreende-los e transcreve-los para o meu mundo,não me permitem nada além da vontade de escrever e das obrigações com a humildade.
Essas rimas de pobre,ou rimas pobres me levam a tênue linha que separa alguém que escreve daqueles que fazem do desabafo melancólico a escrita uma fuga da própria mediocridade.Uma soma da excessividade de conhecimentos lidos,um ou outro sentimento sem sentido e a mais pura ausência de qualidade.
Ninguém Lê física no jornal ou compra manuais de química.Aliás me desculpem a indelicadeza,comprar nos dias de bolsa-esmola de hoje é um luxo.Isso já empurra os medíocres para a escrita,a arte da mediocridade.Isso se torna o alimento do seu ego,a luz no fim de um túnel que só existe porque o orgulho não permite ver o céu.Afinal o céu é para todos e quem enxerga o céu se põe a qualquer um e alguns se acham bons demais para isso.Preferem o túnel.
Prefiro,gosto,acredito que o sensato seja esperar o pior.Me falta experiência,me faltam livros lidos.(vai que invés de escritor eu sou de fato um copiador?)
E me falta sucesso para saber se eu sou bom o bastante para escrever coisas úteis como eu gostaria que elas fossem.Escrevo lamentando o esforço do futuro de embolar essas palavras e joga-las no lixo,lamentando os minutos perdidos agora por não ser bom o bastante e suficientemente ignorante.Acho(quase creio e largo a caneta) que as jovialidades do meu caráter hão de se refletir nos meus textos,levando eles para um caminho de pouco valor humano,contradito pelos meus escritos do futuro.As palavras são a expressão escrita dos nossos olhos,os reflexos escritos do espelho da alma.Logo eu posso perder o meu valor hoje pelo que serei no futuro.Porque hoje é presente,e eu pergunto qual é o meu valor e só poderei responder amanhã.E eu talvez não valha mais nada.Nas minhas aventuras de quem escreve posso assassinar uma idéia,uma revolução que nunca aconteceu.Posso cometer um suicídio de ordem social 40 anos antes da minha morte.Ou posso ser um narrador do que um dia me matou e me fez um animal sentimental.Não tenho tanta certeza que de que nenhum sucesso ou insucesso quanto tenho de que se perder esses minutos escrevendo futilidades,de alguém que só difere no gosto por escrever,me arrependerei.
















Se eu pudesse me dar o luxo de ser um cara que escreve coisas tão complexas como o meu cérebro acharia difícil compreende-las,ou se fosse sábio o bastante pra escrever de coisas que certamente ficariam pra imortalidade,dificilmente falaria de saudade.Mas o que é mais imortal na existência humana do que o próprio homem?E se falamos do homem,falamos de outros homens que precederam os primeiramente citados.Homens vieram de homens.Homens são essa síntese de pensamentos gloriosos,coletivos ou individuais que os levam adiante.Homens se perpetuam base de informações,mais do que de sexo.Afinal o que garantiria a supremacia da espécie nesse planeta senão nossa força mental,e acima de tudo,nossa capacidade de evoluir?Mas nossa capacidade de evoluir não é nada mais do que essa síntese de informações feita por homens,que vierem de outros homens.Homens parem homens.Seja nas idéias,nas guerras,nas situações mais adversas.Que espremem,comprimem o caráter humano e o que há de mais essencial é aproveitado.Síntese de informações.Mas homens morrem e o que pra uma geração foi extraído das entranhas do caráter humano pode morrer junto com esses homens.O que faz com que essas informações se perpetuem?
A memória.Homens se lembram de outros homens,e porque estes foram importante quando vivos.Eles apenam se lembram porque homens parem homens.E uma geração interage com a outra.Uma geração usa o conhecimento de 10 gerações passado,porque um interagiu com a outra até chegar a ela,e embora ela não conheceu a primeira geração de todas as 10,usa as informações mais produtivas,as informações que levam adiante.Informações que passaram de uma geração a outra,nessa pequena corrente de duplas que perpetua certas mazelas da espécie.Assim lembrar de alguma coisa,ter uma memória seria o primeiro passo pra imortalidade,ou talvez o único?Se lembrar de informações, que são a síntese do...homem!Então,o que há de mais imortal do que o homem?O homem construiu o homem.Nossa capacidade de absorver o que é mais importante,ou o que é útil,sucessivamente leva os fatores decisivos do caráter muito além da imaginação.
Muito além,de uma só geração.Conhecemos as pessoas,e nos damos com elas da forma que achamos melhor,ou que necessitamos fazer.Cada um pra si mesmo,apenas absorve o que julga necessário.E as vezes tudo é muito normal,ou todo mundo não tem nada demais pra apresentar,nada que faça você rever seus pontos de vista,ou a vida.Nenhum informação pra ser absorvida.As vezes conhecemos algumas pessoas que tem idéias ou expressões tão ricas que mudam pra sempre as faces da nossa personalidade.É como se alguns raios finalmente encontrassem uma superfície que os absorvessem,sem refleti-los sucessivamente,como se eles fossem o exagero de um caráter.Uma vez que ele são absorvidos,eles nunca voltam.Pelo menos não voltam da mesma forma.Voltam melhores,ou piores,porém eternamente modificados por nos entregarmos a diversidade da outra pessoa e expormos o que temos dentro de nós.E o que tem dentro,acaba colidindo com o que tem na outra pessoa e muda.Assim absorvemos o que nos era inexistente,ou aprimoramos o que nos era comum.Assim nos tornamos homens fazendo síntese de informações de outros homens.Seja essa síntese através de um livro,ou de um beijo que te faça perceber que a vida pode ter outro gosto,ou outra leitura.E quando vamos embora,levamos nosso interior pra sempre modificado devido á colisão de informações substanciais a vida,mas as pessoas ficam pra trás.E sentimos falta.Sentimos saudade.Sentimos saudade por elas terem se mostrado tão incríveis que sacudiram aquilo que ninguém mais sacudiu,que adicionaram aonde ninguém nunca adicionou ou que expressaram aonde ninguém,ninguém mesmo jamais conseguiu se expressar.E por isso essas pessoas são chamadas especias.Dificilmente outras pessoas serão capazes de sacudir o que tem dentro de nós,que já não é mais o mesmo dentro de nós,justamento por ter sido sacudido.Umas sentimos por confiarmos tanto na maravilha da sua personalidade que elas se mostraram capazes de nos fazerem sintetizar informações substancias a vida a qualquer momento,e sentimos falta dessa capacidade de enriquecimento abstrato,que se reflete fisicamente.Outras nem esperamos que elas voltem a chocar,nada do tipo.Apenas sentimentos falta daquele choque contante,que faz a vida parecer vibrar em outra freqüência sempre e colocando o que nos somos de melhor não muito distantes.Ao percebermos o fascínio que essas pessoas nos despertam tentamos ser cada vez melhores.E acabamos conseguindo.Então algumas pessoas tem de melhor em simplesmente nos tornar melhores e melhores.E sentimos algo diferente,inusitado.Sentimentos saudade.Mas uma saudade diferente,uma saudade egoísta.Sentimos saudades de nos mesmos,e da condição de coadjuvante que outro ser se colocava simplesmente balançando tanto a existência a ponto de fazer o outro ser muito melhor,e muito mais feliz.Coadjuvantes por fazerem o outro lado ser melhor,por ele mesmo,porque ele queria impressionar.Coadjuvante por fazer o outro lado,uma constante busca por informações novas e impressionantes sem perceber que o benefício no final é próprio e não mutuo como se espera.Sentimos saudades não dos outros,mas de como éramos do lado deles.De como procurávamos ser,vivendo pra eles ou agindo buscando agrada-los e assim percebendo quão grande podemos ser,ou quão fascinantes.Sentimos falta da pessoa,mais principalmente,dos homens que elas nos podem fazer ser.

Princesa dos meus anéis.

Vivemos
Vivemos,talvez,simplesmente por viver,
Apaixonados por essa ilusão,
Perdidos por essa paixão,
Amando na escuridão,
E viajando na estrada da solidão...

Acabo de te conhecer,
Porco presunçoso eu,
Que se acha no direito de te escrever,
Mas...poxa vida...eu fiquei encantado,
Por um minuto não paro de pensar,
O relógio tique-taquea e me atordoa,
Amando nessa roleta-russa,tentando beijos no cara e na coroa.
E você,a princesa dos contos de fadas,
Aposenta minha espada,e revive minha coroa.

Vivendo esse encanto,sonhando pesado
E o sol nasce iluminado,
Trazendo o seu sorriso a minha memória,
Assim como uma criança não consegue esquecer uma estória,
Seu sorriso ilumina minha memória,
Sobressaindo á minha escória.

Escória que enche a cara no carnaval,
Fuma junto com o comercial,
E marginaliza a noite como um policial.

E esse cara ou coroa do amor,
Cara?Coroa?Viver satisfeito,
Surfando minhas ondas de delírio
Ou abrir mão da minha imortalidade
E encostar o ouro da sua cabeça
Com a pirita dos meus anéis
Ah sim,pirita,o ouro dos tolos
Arrancadas de guerras,porventura tolas,
Outrora cruéis.
Quase sempre malditas e infiéis
Arrancado enfim,da mão dos seus coronéis

Descer do céu,pular em suicídio e quebrar minhas asas.
Com as quais voaria pelo mundo,
Por você,princesa dos porcos com asas
Dos guerreiros que invadem casas
E do ouro tolo dos meus anéis,
Arrancado das insignificantes guerras,e seus podres coronéis?

Poderá o ouro dos meus anéis
Tocar o ouro dos seus corcéis
Ou os lábios da minha boca beijarem o couro dos teu pés?
Poderão os delírios dos meus pensamentos
Se enamorarem pelo encanto dos seus contentos?

A conveniência dos conventos
A lágrima dos desatentos
A derrota dos lentos
O bocejo dos sonolentos?
Poderá o ouro dos meus anéis
E os lábios da minha boca
Beijarem o couro dos teus pés,
E Cortarem a cabeça dos Seus coronéis?

Poderão os delírios dos meus pensamentos
Delirar acima dos ecos de nosso passado
E os encantos dos seus contentos
E a conveniência de um convento,
Superarem o brilho do seu legado?
É,eu sinto o amor
A lua que brilha no céu do apaixonado.