Ele era um remanescente de uma geração ingrata.Ele mesmo era um ingrato.A idade não importava.Fora ingrato com todas as suas chances.Era um grande tagarela,e um exímio defensor de causas.O seu hábito infeliz de comer o almoço pensando na janta lhe rendeu uma vida lamentável cheia de episódios memoráveis.Conversava com qualquer um,com a televisão,com uma câmera,com um contato do mirc de quando tinha 13 e nunca realmente efetivara a amizade fisicamente,e principalmente,conversava sozinho.Mas conversava tanto,que sozinho de fato acabou ficando.Apenas lhe restaram algumas músicas de um gênero musical velho e desconhecido,que os jovens de hoje não sabiam apreciar.Um ouvido com ruído de tanta música ouvir,as vistas cansadas de tanto ler.Mulher não tinha e nem procurava,afinal,procurar mulheres em sua época e procurar enlatados de sardinha,as sardinhas tinha mais personalidades.Toda a sua geração fora um desperdício.Toda uma geração de homens digitando busca para suas perguntas nas localidades de busca,sem realmente saber como procurar.Mas os homens de seu tempo não eram tristes,pois a tristeza era um sentimento reservado aqueles que ainda sabiam apreciar as agonias da própria existência.Embora tudo se fora,a vista da sua janela ainda era a mesma.E de repente ele conversa,não se sabe ao certo se com um guardanapo ou com um papel higiênico,mas enfim,ele resolve falar.
O hábito de fazer perguntas me rende incidentes desagradáveis.O menino tagarela dentro do ônibus que sai fazendo perguntas indiscretas a todos continua dentro de mim.As vezes eu acho que ele cresceu.Porém continua dentro de mim.Talvez essa mania de perguntar tudo é o inegável berço das minhas palavras.,carinhosamente organizadas como respostas.São perguntas que cortam como uma faca a solidez dos sentimentos,me custando esforços imprevisíveis para tentar recompô-los,quando depois de uma pergunta a resposta acaba por os julgas necessários...São perguntas que desestruturam momentos.Sempre quis saber como tudo funciona,da menor peça a função total.Nada melhor do que desmontar.Como quando eu me pergunto porque estou sozinho?E a resposta é que fui incapaz de administrar meus amores.Pessoas que tiveram amores tão menores em intensidade,grau de interesse ou dificuldade,no começo,e persistiram solidificaram o reflexo de sua pessoa,um colo para a alma.
E eu lá constantemente a me perguntar o porque das coisas e a sua razão,fui desperdiçando seguidamente pessoas que me fizeram feliz.Fui um pouco ingênuo também em achar que porque vieram muitos,continuaram a vir.Acho que me enganei.Fui incompetente e administrei mal todo o amor que me foi dado.Mais lamentável ainda é estar cada vez mais sozinho por ter questionado,ou simplesmente não ter abraçado com todas as minhas forças,pessoas tão lindas,tão interessantes ou tão legais.Pessoas amáveis,sendo a prova disso que depois de não conseguir,outros abraçaram essas vibrações extraordinárias de um caráter adorável,e usaram para agitar tudo que andava parado em suas vidas.Essa ressonância,do amor,que começou forte como a energia de minha própria vida há muito se foi.Espero reencontra-la pois sei que o amor apenas acrescentaria a minha pessoa(triste pessoa) que anda tão sozinha.Enquanto escrevo disparo centenas de perguntas contra mim mesmo ouvindo as vozes da minha vida.
Essas vozes um dia foram vinda de uma estrutura de carne e osso,na fila do banco,no trânsito,no estádio ou em outro lugar qualquer,cometeram a ousadia de entrar em mim por possuírem no significado de suas palavras algo capaz de sensibilizar a superficial casca do meu ser,que assim se encontrava por ter atravessado determinada situação dura,e aquela rachadura,aquele buraco no casco,é penetrado por essa voz como uma flecha.E As vezes essas vozes parecem falar justamente aquilo que a nossa existência carece ouvir.Só que uma vez que entram é difícil que elas saiam.Vozes de situações,de pessoas que entram e ficam batendo nas paredes da minha alma buscando desesperadamente um caminho para sair.Escrever é a porta de saída de todas essas vozes presas dentro de mim.Um guardanapo de uma cafeteria,uma mensagem de texto,o post de um fotolog,tudo era motivo para que ela tentasse tirar aquela voz daquela menina de olhos azuis de ontem de dentro dele.ou daquele velho amigo pedindo sua ajuda.Essas vozes tinham uma característica em comum,eram todas perguntas que nunca tinham encontrado a sua devida resposta.E a cada frase organizada busco liberta-las.Afinal,liberdade ainda que tardia,minando assim os mais profundo agouros de sua alma,gerando prazer e satisfação,e levando a possibilidade de finalmente como não se via há muito tempo,enxergar em sua vida empacotada um belo horizonte.A cada pergunta respondida,uma frase é liberta na esperança de que outro ser de notívaga existência a encontre,em uma obra poética,um solo de guitarra ou na fila de um cinema.Que outro enfim encontre a solução para determinado problema,e eleve seu ser a uma pergunta a menos,uma resposta a mais e com muita boa sorte uma maturidade cada vez mais diferente da dos demais.
A cada frase organizada busco busco então liberta-las,para que alguém simplesmente,tenha uma pergunta a menos á responder.
Isso é diferente de outras organizações ,pois não temos a obrigação de responder a todas as perguntas de uma só vez,porém nunca saberemos qual delas será a próxima que precisará ser respondido.Então a única solução é tentar disponibilizar todas as respostas para qualquer dia e qualquer hora.Embora talvez nunca se use nenhuma,ou use apenas uma.E é por isso que eu presenteio as pessoas com perguntas respondidas para que se poupem o trabalho .E tiro assim tantas perguntas batendo dentro de mim.Talvez a paixão seja um jogo de perguntas e respostas,que dão a falsa,real e certamente incompreensível sensação de necessidade para nossa existência.
Em um mundo tão cheio de mentes,de idéias,de expressões e de gente é cada vez mais difícil achar quem responda as suas perguntas.Uma respondida virão outras de maior dificuldade até que talvez não seja possível encontrar alguém capaz de responde-las.
Um filme pode te falar,uma música ou um livro.E é aí que expandimos nossos interesses em busca de respostas,porém aumentamos a nossa solidão,contruindo um castelo cultural,recheado de expressões artísiticas musicais,fotográficas,livros ou poesias que acabamos perdidos ou isolados dentro dele.Nesse momento respondo a minha pergunta sobre a necessidade de responder perguntas,até que alguém absorva isso,e a sua pergunta também será respondida.
Mentes brilhantes responderam muitas pessoas através de suas palavras,seus cálculos,imagens,músicas,manobras,ora militares ora corporais.Com um pequeno anexo,seja uma bola,seja uma espada.E se tornaram um grau a mais na compreensão individual de existência de cada um.Creio que a melhor definição de arte para os meus anos de perguntas e respostas seja que qualquer expressão artística é o dom de fazer perguntas fundamentais e responde-las de uma forma absorvente aos demais corações.Porém qualquer expressão artística deixa de ser uma expressão artística quando se tem alguma forma de interesse em capital,ou qualquer possessão que se limite ao campo material,ou que resuma sua existência da forma mais banal.(essas rimas são banais)Passa se então a procurar perguntas pra responde-las da forma que lhe interessar mais,sendo que o seu interesse é dar a resposta que interessa a quem precisa de uma.Então,basta falar o que as pessoas querem ouvir.
Mas as vezes as pessoas são tão incontentes com a própria existência,insatisfeita com a magia de improviso da vida,que fazem questão de não improvisar nada,de apenas viver em silencia,e fingirem que sentem alguma forma de expressão pra poderem não sentir nenhuma.E elas ainda mentem,fingindo que consideram obras medíocres uma forma de expressão.Ora,elas não consideram,mas elas apenas querem que sua existência passe em branco,mais pra elas do que pra qualquer pessoas.Elas são medíocres,elas são ordinárias,comuns,não tem a menor graça,não são bonitas,se são não sofrem de amor,enfim,elas são banais.Essa ciência a favor da futilidade das pessoas incapazes de analisar a própria existência intrinsecamente é o maior assassino do século 21,e sem dúvida o mais cruel.Essa expressão que acaba servindo como um tampão a suas vidas vazias.Essa desgraça a serviço da futilidade já assassinou o rock´n´roll.O silencio da alma,se limitando a pequenas trocas matérias acabaou com a espontainedade dessa música cargo dos infelizes com a alma recheada de perguntas sem respostas.Esse interesse banal acabou com o futebol,está assassinado a literatura e provavelmente está perseguindo a poesia.
Cada vez mais se tornarão mais raras as pessoas capazes de fazer as perguntas certas,pessoas essas que prolongam a vida das expressões artísticas.Não se deve falar o que querem ouvir,mas sim o que precisa ser dito,o encaixe abstrato para a situação que a brilhante alma do artista encontrou.Logo ele conclui,
Perguntar é uma arte
terça-feira, 23 de outubro de 2007
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3 comentários:
eee, que gracinha vc tem um blog! (é, eu já sabia..) nunca comentava pq meu blog era sigiloso, rs. nunca divulguei ele pra ninguem não.
brigada pelos parabens e pelo cd, ADOREI!
:*
Plinio...
Puta que pariu. Mano, agora eu me surpreendi... mais do que ao ler Nietzsche, por que a filosofia dele é restrita... mas o que vc disse cabe, como uma luva, não pra mim, talvez pra mim, mas pra o mundo.
Cara, se eu pudesse pedir uma coisa pra um genio hoje, UMA coisa... essa coisa seria poder me expressar como tu fez, e melhor: falando contigo.
Abraço... esmeraldino!
Essa ciência a favor da futilidade das pessoas incapazes de analisar a própria existência intrinsecamente é o maior assassino do século 21,e sem dúvida o mais cruel.
Ainda estou pensando sobre isto... vou pescar algo dito anteriormente por seu colega Rafael da Costa num comentário, e arrancar Nietzsche sabe lá Deus ou o Diabo de onde esteja, pra neste comentário, fazer uma das perguntas própria deste filosofo: Onde está Deus?, vejo um texto humanista, belo!, mas imparcial a algo importante, a Fé.
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