gente,meu amigo que não vou revelar o nome porque não consegui falar com ele,e não consigo há uns dois anos, escreveu isso em 2005,ou menos eu acho,e me confidenciou á leitura,como eu achei muito legal eu coloquei aqui pra que mais pessoas tivessem a oportunidade de ler,espero que ele não se importa,embora muita provavelmente ele nunca fique sabendo.
Compromisso
As relações são tensas. Mesmo que saibamos dos benefícios que a diversidade nos possibilita, ainda sim entrar em contato com o diferente infere em tensão. As transformações, mesmo as intrínsecas, pertencem ao desconhecido. Podemos até prever e simular algumas delas, mas tais simulações e previsões não são exaustivas.
O fato de não serem exaustivas nos leva a crer que só mesmo a experiência é capaz de nos conceder o exaustivo conhecimento. A experiência é a existência em um dado “instante” do espaço – tempo; é por isso que as simulações e previsões não são exaustivas, uma vez que não ocorrem no mesmo espaço – tempo da experiência em si. É claro que também à experiência não é dado o conhecimento exaustivo de toda a realidade.
Dessa forma, posso concluir que dois indivíduos não são capazes de prever de forma exaustiva a relação entre ambos. Posto está, portanto, a verdade de que a existência vive sobre os matizes da incerteza. O fato é que não existe apelo emocional sem a consciência, e tão pouco o apelo racional sem o instinto. Ao meu ver é ao homem instintiva a busca pela coerência e assim a sua inevitável constituição racional
A bem da verdade, quando estamos racionalizando estamos apenas sistematizando nossos sentimentos, e não nos livrando deles. Todavia, é essa mesma incerteza que nos leva a alimentar as relações com o que chamamos de confiança e compromisso.
Compromisso e confiança são as expressões máximas de nossa natureza bivalente, capaz de subjetivar o que a prior é racional, e vice versa. Porque assumimos compromissos e dizemos que confiamos em outros indivíduos? Lembremo-nos de assumirmos o fato de que mesmo a contra gosto assumimos, todos nós, compromissos. Os compromissos são uma necessidade existencial; a existência é refém da incerteza, toda e qualquer decisão é oriunda de uma dada parcialidade, de uma dada inclinação a uma lógica qualquer. Crentes e ateus, por mais que discordem, possuem um traço comum a todo ser humano. Necessitam de uma verdade.
Todos assumimos compromissos por sobrevivência; o compromisso é a forma que encontramos de validar uma existência consciente. Somos reféns do principio da não contradição, não importando o sistema de lógica a que somos devotos.
Quando compromissados com nossos sentimentos tudo do que fazemos tende a satisfazer os mesmos. Quando compromissados com terceiros tudo o que fazemos tende a satisfazer os terceiros.
Do contrário sentiríamos culpa. O compromisso tem por objetivo diminuir as chances de provarmos o desgosto da culpa, que é nada mais que uma expressão da incoerência.
Permita-me exemplificar, fazendo uso de uma situação por mim vivida a cerca de 30 dias atrás.
A garota (que não era minha namorada) me viu com outra, sentiu seu ego ir ladeira abaixo. Se aproximou de mim e jogou uma conversa mole. Do tipo: “sempre te achei especial... não te amo ainda, mas acho que amor é algo que agente decide sentir por alguém... é uma escolha...”. De fato eu caí na conversa, não que ela seja mau caráter, pelo contrário.
Mas se tivesse atentado para o fato de que ela estava compromissada com o ego dela e não comigo não teria entrado nessa latada. Ela me fez procurar sua mãe, pedir permissão para namora-la e dois dias depois terminou comigo. Putz! Como fui idiota.
Terminou comigo simplesmente porque seu ego já havia sido satisfeito. Em suma, o compromisso a que ela havia se proposto a cumprir foi cumprido e eu apenas fui uma ferramenta para isso. Tudo bem que me trocou por outro em menos de 24 horas... putz... além de idiota fui corno... mas isso não desfaz o fato de que seu objetivo não era me trair e tão pouco me usar, mas sim zelar pelo seu compromisso. Isso também não quer dizer que tenhamos que ajudar a todos a cumprirem seus compromissos, lembrem deste exemplo, de como fui idiota e corno!
Recordo-me bem do desespero em que ela se viu ao notar que eu já não servia para mais nada uma vez que seu compromisso já havia sido satisfeito. Chegou a ser engraçado. Ela não sabia o que fazer, e sabe porquê? Por que se sentia culpada. Afinal de contas, para que continuar a namorar comigo se seu compromisso já havia sido cumprido? Eis aí a incoerência e por isso se sentiu culpada e assim terminou comigo. Ao terminar comigo satisfez outra vez seu ego, outra vez cumpriu o seu compromisso.
A aquela altura dos acontecimentos seu ego já estava satisfeito e, portanto namorar comigo era a ela extremamente penoso e desgostoso, pois caracterizava uma atitude incoerente com o estado do objeto de seu compromisso: seu ego!
Infelizmente eu estava compromissado com ela, e por isso fui capaz de fechar os olhos a sua imaturidade, própria da idade, e crer que poderia ajuda-la a crescer até se tornar uma mulher.
A relação foi tensa! Nossos compromissos eram distintos e a experiência me conferiu o conhecimento, não exaustivo, mas ainda sim conhecimento de seus compromissos.
domingo, 14 de outubro de 2007
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2 comentários:
Po, quem é esse cara?
Ele faz falta heim?
Texto curioso. Pelo que entendi, não é de sua autoria? ... Pergunto por que há quem publique algo como se não fosse seu, ... Machado de Assis ao escrever A Igreja do Diabo, diz que aqueles fatos pertenciam a um antigo manuscrito beneditino, José de Alencar em Senhora na introdução cria um ar de Caso Verídico, que demonstra ,no mínimo, criatividade da parte do autor. Oras a literatura é livre! existe muito charme nisto!
E pra não dizer que não falei em rosas... o texto é jovem, a história da “jovem que não era a namorada” e que se aproxima dum outro jovem lhe assediando, é algo passado e repassado que não prenderia os olhos de um homem vivido.
A grosso modo, dizemos que as mulheres dão aos homens o valor que outras mulheres o pagam.
A vida é como no futebol, se um grande time valoriza um jogador, uma mulher bonita valoriza muito mais o passe deste.
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